sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Um outro olhar sobre as vítimas da violência

Da Redação do Noticiape.com

Ao bater o primeiro olhar sobre o tema “vítimas da violência”, a compreensão imediata pode ser involuntariamente discriminatória. Afinal, quem são os verdadeiros responsáveis pelos altos índices de criminalidade na sociedade atual? Serão os agressores produzidos em série nas camadas mais baixas? Para Cecília Coimbra, não.

No Recife, onde participou do 1º Seminário do Centro Estadual de Apoio as Vítimas de Violência de Pernambuco, a fundadora do movimento social carioca Tortura Nunca Mais, criado em 1985, tentou desmistificar a corriqueira ideia. Sua explanação ocorreu durante a conferência “A noção de vítima no mundo”, ministrada na tarde desta quinta-feira, no auditório da sede do Banco Central, na Rua da Aurora.

Por cerca de uma hora e meia, a palestrante procurou aguçar o olhar crítico dos presentes. Militante voraz em favor dos direitos humanos, a pós Doutora em Ciência Política da USP, 68 anos, não hesitou em apontar o Estado como principal responsável pelo caos. Para Coimbra, o modelo implantado nos sistemas de governo é altamente discriminatório. Combater a banalização do preconceito contra a população pobre é algo prioritário no seu entender.

“O conceito atual de vítima traz desumanização. Por que o assassinato de um negro favelado é visto como algo natural? A associação da violência com a miséria é uma questão construída historicamente, não pode ser encarada como algo natural. Há que se estranhar, questionar. Onde está o pobre está o violento? Claro que não era para ser assim. A vítima, fundamentalmente, é a população pobre. Os agressores diariamente são afetados pela violência do Estado”, afirmou.

O preconceito em relação aos militantes dos direitos humanos foi outro ponto explorado. “As pessoas precisam entender que não se trata de passar a mão na cabeça de bandido. Tão importante quanto aquilo que o sujeito fez, é o que ele poderá vir a fazer”, disse, ao criticar as condições desumanas dos sistemas carcerários brasileiros.

Questionadora, Coimbra também criticou com veemencia os meios de comunicação de massa. Apontados por ela como produtores de um modo de vida. “Eles pautam até mesmo o lazer das pessoas, fazem parte da máquina que é o sistema capitalista. Afinal de contas, alienar é preciso”, ironizou. O seminário promovido pela Secretaria Executiva de Justiça de Direitos Humanos de Pernambuco (SEJUDH-PE) prossegue nesta sexta-feira.

Da Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR

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