O trabalho com leitura de histórias em quadrinhos em sala de aula é sempre muito bem recebido por proporcionar uma melhor situação de aprendizagem, pois visa a uma discussão sócio interativa promovendo a leiturização e o desenvolvimento de um estudo com linguagem seja ela verbal ou não verbal, a linguagem dos sinais (LIBRAS) promovendo o interacionismo de forma que estimule os alunos a interagir e dialogar com as diversas linguagens.
E nesta perspectiva, vale salientar que o estudo deste gênero textual pode facilitar a discussão de assuntos como: a inclusão social, o lúdico, e o preconceito seja ele de qualquer natureza; como por exemplo: o preconceito linguístico, social, econômico, geográfico. Destacando também o preconceito com as pessoas que apresentam quaisquer limitações. Pois as histórias em quadrinhos retratam estes assuntos com mais sistemática pedagógica, além de ser um gênero satisfatório para desenvolver as habilidades de leitura e produção de texto de diversos gêneros, orientando os alunos no uso cognitivo da linguagem “adequada” e na produção de textos coerentes, coesos e adequados aos seus objetivos.
Todos conhecem o caráter lúdico das histórias em quadrinhos (HQs) e muitos a consideram uma forma de arte. Além de entreter, elas são significativas no processo de ensino-aprendizagem dos mais diversos conteúdos, como geografia, matemática, história, português e idiomas estrangeiros. O lúdico é uma importante ferramenta didática de auxilio aos processos de ensino e aprendizagem, que atua como força motivadora para que o aluno construa um conhecimento significativo. Ou seja, O lúdico é um fator a priori na vida cotidiana de qualquer indivíduo, devendo o mesmo persegui-lo em qualquer atividade, seja ela de lazer ou não, assim o lúdico se caracteriza como um pré-requisito na qualidade de vida das pessoas, sendo um elemento fundamental integrando o corpo e a mente.
Assim, é importante o uso de metodologias alternativas que motivem a aprendizagem e as atividades lúdicas como meios auxiliares que despertem o interesse dos alunos, podendo ser aplicadas em todos os níveis de ensino (CABRERA, 2006). O lúdico traz a emoção para sala de aula, um sentimento que favorece a formação de memórias em longo prazo, o tipo de memória necessária para que haja a aprendizagem significativa. Vários são os conceitos, e as formas de se desenvolver, o lúdico e em virtude disto, iremos nos referenciar as histórias em quadrinhos que podem ser consideradas como veículos de aprendizagem, atingindo uma finalidade instrutiva nos mais diversos assuntos.
Desta forma, seu uso adequado pode transmitir conhecimentos, despertar o interesse e ainda criar o hábito da leitura sistemática (SANTOS 2001). Durante o desenvolvimento do enredo de uma História em Quadrinhos o leitor se utiliza de um conjunto de processos cognitivos, como capacidade de analise, síntese, classificação, decisão, imaginação e tantas outras “tarefas mentais” que se fizerem necessárias a uma compreensão correta da narrativa (QUELLA-GUYOT et al.,1994). Testoni e Abib (2004) explicam que os textos e as imagens nas histórias se complementam, o texto deve contemplar aquilo que a imagem não consegue demonstrar, garantindo assim o sucesso dos quadrinhos. Além disso, é essa interação que torna possível que o sistema imagem–texto seja dinâmico e represente a “realidade”.
Na utilização de uma História em Quadrinhos em ambiente escolar é necessária a escolha e a montagem criteriosa do material procurando dividir, de forma proporcional, as imagens e os textos utilizados no enredo (CARUSO et al, 2004). As Histórias em Quadrinhos (HQ) vêm apresentando desde sua criação, no início do século passado, um formato artístico popular, divertido e de grande aceitação entre os leitores de todo mundo. Apesar desta não ser a função principal dos Quadrinhos, suas características lúdicas e lingüísticas, aliadas com fatores de natureza cognitiva, podem ser de grande interesse no campo educacional.
Embora as histórias em quadrinhos não sejam jogos e não se priva de jogar com seus personagens, códigos e leitores ela é, em grande parte, integrante de um sistema lúdico, pois possuem em sua confecção e leitura a existência de duas características lúdicas fundamentais: a catarse e o desafio. Segundos os autores, a catarse (...) “como objeto formador da atividade lúdica busca uma desempenho livre das tensões, faz com que os alunos se apropriem de forma mais prazerosa dos conhecimentos, ajudando-os na construção de novas descobertas. Já o desafio representaria uma situação problemática que os alunos devem resolver”.
Com relação à linguagem dos quadrinhos seus aspectos lingüísticos (textos em balões) e icônicos (imagens), podem ser associados de forma positiva ao processo educacional, pois quando unidos de forma coerente faz com que o leitor se insira e participe da narrativa. Pois juntamente com as características lúdicas e lingüísticas que permeiam uma história em quadrinhos têm-se os processos cognitivos que proporcionam os leitores a utilizarem sua capacidade de análise, síntese, classificação, decisão, imaginação e etc., de maneira que possam entender de forma correta a narrativa. Tendo isso em vista, Testoni e Abib nos mostram como as Histórias em Quadrinhos apresentam uma série de características potencialmente utilizáveis no ambiente educacional, a partir de suas vertentes lúdica, psicolingüística e cognitiva que permite ao aluno um bom entendimento, já que está escrito com uma linguagem simples e de forma acessível.
A educação contemporânea implica em uma interação da escola com a vida cotidiana dos alunos, trabalhando com seus símbolos, suas linguagens, suas culturas e seus interesses. Esses são os pressupostos da Pedagogia da Comunicação, que com seu desenvolvimento pode contribuir para que a escola deixe de ser algo distante da realidade dos estudantes (Gutierrez e Prado, 2000, Penteado, 2002 e Porto, 1998). Para tal, torna-se importante o ensino realizado utilizando-se das linguagens que permeiam o cotidiano dos alunos, tais como: livros, jornais, charges, revistas em quadrinhos, teatro, computadores, cartazes, entrevistas, exposições, filmes, diálogos, programação televisiva, jogos de videogame etc., possibilitando aos educandos aprender a ler, interpretar e a comunicar-se por meio dessas múltiplas linguagens referidas.
Pesquisas indicam que o estudante pode se tornar o construtor de seus futuros conhecimentos a partir de seus interesses que, por meio de uma motivação, o conduzirá a tomar para si um dado objeto/assunto (Braz da Silva, 2004). Toda essa maneira de ver faz sentido se tomarmos como partida a Epistemologia Genética de Piaget, que considera que o objeto é aprendido por meio de alguma estrutura cognitiva constituída pelo sujeito (aluno), a partir de interesses e necessidades (Piaget, 1973). Nesse caso, a motivação vem como o combustível que o levará a se sentir seduzido pelo que está sendo apresentado e que encontre um significado a partir das atividades desenvolvidas, para que em seguida possa analisar o objeto proposto e então construir o conhecimento.
Ao se falar em jovens, um dos principais agentes de sedução é a brincadeira. Nesse caso, o lúdico vem como agente de construção de conhecimento. As história em quadrinhos podem ser empregadas, entre outras maneiras, na introdução de temas que serão desenvolvidos posteriormente com outros meios didáticos, no aprofundamento de um conceito já apresentado, na ilustração de uma ideia ou situação ou como forma lúdica para o tratamento de um tema complicado.
A pesquisa “Retrato da Escola 2”, realizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE, 2001), em dez Estados Brasileiros, comprovou que alunos que leem gibi têm melhor desempenho escolar do que alunos que usam somente os livros didáticos. Mostrou, também, que entre estudantes de 5° ano da rede pública, a HQ aumenta significativamente o aproveitamento dos mesmos. A pesquisa também mostra que os professores que leem quadrinhos obtêm melhor retorno dos alunos, pois os quadrinhos lhes proporcionam um contato com universo dos estudantes, tornando assim a relação professor-aluno mais natural, e trazendo para o aluno exemplos desse universo como ferramenta de aprendizagem em sala de aula.
Segundo Barbosa (In: Rama, 2005), as HQs auxiliam no processo ensino aprendizagem, pois:
• os estudantes querem ler os quadrinhos;
• palavras e imagens, juntos, ensinam de forma mais eficiente;
• existe um alto nível de informação nos quadrinhos;
• as possibilidades de comunicação são enriquecidas pela familiaridade com as HQs;
• os quadrinhos auxiliam no desenvolvimento do hábito de leitura;
• os quadrinhos enriquecem o vocabulário dos estudantes;
• o caráter elíptico da linguagem dos quadrinhos obriga o leitor a pensar e imaginar;
• os quadrinhos têm um caráter globalizador;
• os quadrinhos podem ser utilizados em qualquer nível escolar e com qualquer tema.
Os professores pesquisam gibis em busca de tirinhas que tratem de algum assunto relacionado com o tema a ser abordado e daí as aplicam para introduzir um assunto ou subsidiar a discussão sobre o mesmo. Assim, é comum vermos professores trabalhando com histórias em quadrinhos de Garfield, Calvin e Harold, Hagar, Níquel Náusea, Mafalda, Martins e , Turma da Mônica entre outros.
Espera-se, assim, que as histórias em quadrinhos desempenhem papel importante na transposição dos conhecimentos em qualquer disciplina para o cotidiano de seus leitores, e que os professores sejam estimulados a aplicar novas técnicas estruturadas em suas experiências e na vivência de seus alunos, que esses possam ser atores na difusão do conhecimento ao divulgar para outras pessoas o material didático produzido e que a técnica seja facilitadora da transferência de conhecimentos, imprimindo ao aprendizado um aspecto lúdico e estético.
Referências
TESTONI, Leonardo André e SANTOS, Maria Lucia Vital. A Utilização de Histórias em Quadrinhos no Ensino de Física: uma Proposta Para o Ensino de Inércia. Disponível em: http://www.cienciamao.usp.br/tudo/exibir. php?midia=ard&cod=_autilizacaodehistoriasem. Acesso feito em Outubro de 2010.
NETO, Francisco Fernandes Soares e FURTADO, Wagner Wilson. As Fases da lua em Histórias em quadrinhos no ensino Fundamental, XVIII SIMPÓSIO Nacional de Ensino de Física-SNEF. Janeiro de 2009, Vitória, ES 1.Disponível em http://www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/snef/xviii/sys/resumos/T0333-1.pdf://www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/snef/xviii/. Acesso feito em Outubro de 2010.
TRINDADE, Driele Cendon; TRINDADE, Sormânia Pereira e LIMA, Tales Câmara. O Lúdico na pedagogia com portadores de Necessidades especiais. PNEs,Outubro de 2004. Disponível http://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/HOLOS/article/viewFile/28/28. Acesso feito em outubro de 2010.
Claudemir Santos Silva - é graduado em Letras e Especialista em Psicopedagogia Institucional. É professor do Ensino Fundamental e Professor Tutor do Curso de Letras da Universidade Federal Rural de Pernambuco. UFRPE. Educação à distância EAD. Universidade Aberta do Brasil UAB.
e-mail: claudemirssilva@yahoo.com.br
Ednaldo Gomes da Silva - é graduado em Letras e Especialista em Língua Portuguesa. É professor do Ensino Fundamental, Médio Pré Vestibular. É Professor da Pós Graduação da FATEC e da Graduação da FACOL e Professor Tutor do Curso de Letras da Universidade Federal Rural de Pernambuco. UFRPE. Educação à distância EAD. Universidade Aberta do Brasil UAB.
e-mail: edygom@bol.com.br

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